Nuno Coelho

Março 11 2009

Muitas foram as linhas que escrevi

Numa vida ponteada de tristeza e desilusão

Muitos foram os títulos que dei

A longos textos de dor e desespero

Muitas lágrimas verti

Por não saber o que mais fazer…

Muitos foram os momentos em que duvidei

de triste mundo em redor

 

Dei suor e sangue

Para atravessar estrada longa e sinuosa

Senti esfarrapar a minha pele

Para poder trepar escarpas íngremes infindas

Só para chegar ao topo delas e vislumbrar

Mais montes rasgarem os céus a perder de vista.

 

Senti a esperança esmorecer muitas vezes

Para, sem que eu soubesse como, a chama logo se avivar

Senti a minha vida fugir por entre os meus sonhos

Sem que nunca a tenha de facto visto definhar

 

Mostraste-me como sobreviver ao mundo

Mostraste-me como lutar todos os dias

Por mais uma migalha de existência

Nunca te conheci dúvida ou remorso

Em viver todos os dias para nós.

 

Mundo cruel, feio e frio,

A tua face negra nunca fui forçado a contemplar

Mas obrigaste-me a ver quem eu amo com todo o meu coração

Definhar, lutar e perecer

Braços caídos sobre a opressão de um negro monstro

Que sem cara ou corpo, garras ou mandíbulas

Abateu um gigante e o reduziu

A nada menos que aquilo que todos somos.

 

Gravaste em mim a ferro e fogo

Súplicas de liberdade de uma alma

Enfraquecida pela dor e desespero

Que não desejo a nenhum dos meus ou teus.

 

Não te perdoo mundo negro

Por tudo o que fizeste sofrer

Por todas as lágrimas que roubaste

Pela esperança que consumiste

Pela triste viagem que lhe deste

Àquele que não merecia tanto sofrer.

 

Ter-me-ás no dia do julgamento

Para te lembrar do seu nome

Para te perguntar o porquê de tanta dor

Para te ver chorar pelos que levaste antes da Hora

Pois a chorar eu te verei

Por um e por todos os que roubas das nossas vidas

 

Nada do que o meu passado me faz arrastar me pesa hoje tanto

Quanto a falta que faz aquele que da vida muito me mostrou

Nestas linhas deixo escrito

Aquilo que nunca irá ler

Mas que no meu coração sempre soube estar:

Obrigado por me dares a vida

E por me ensinares a vivê-la.

 - Nuno Coelho © - 2003

 

publicado por Nuno Coelho © às 00:35

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